);

A miopia em Marketing

Qualquer setor de atividade económica que atravessa hoje em dia uma acalmia já foi, em algum momento da sua história, um setor em rápido crescimento. Alguns dos setores que, atualmente, estão em expansão entusiástica vão, mais cedo ou mais tarde, enfrentar uma quebra ou até mesmo uma paragem. As razões para o crescimento ser ameaçado, retardado ou parado raras vezes resultam da saturação do mercado. Na maioria das situações decorrem de erros de gestão.

Estas conclusões, tão atuais que qualquer um de nós se revê nelas, não foram tiradas agora. Theodore Levitt publicou-as em 1960, na Harvard Business Review, num artigo denominado “A Miopia em Marketing”. Para este autor – ainda hoje seguido pela maioria dos especialistas em Marketing, a culpa vem sempre de cima. E por cada percalço ocorrido no ciclo de crescimento da indústria, quatro condições emergem:

  1. A crença de que para crescer basta atingir mais pessoas e mais abastadas;
  2. Acreditar-se que não existe nenhum substituto competitivo para o principal produto;
  3. Defender em demasia a produção em massa e as vantagens da diminuição do custo unitário à medida que a produção aumenta;
  4. Excessiva preocupação com o produto, a qual condiciona a experimentação científica, os melhoramentos e a redução dos custos de produção.

 

Levitt acusa os responsáveis na cúpula de estarem demasiado concentrados no que fazem em vez de preocuparem com os seus consumidores e clientes. Esta miopia leva a investimentos desajustados da realidade e à ausência e inovação e de marketing no sentido do consumidor.

O autor aponta como exemplos o setor ferroviário, Hollywood, as empresas petrolíferas ou as mercearias. Hoje em dia, podemos discutir o setor automóvel, a indústria do táxi, as lojas de rua, para percebermos que, apesar de quase 60 anos volvidos, tudo mudou, mas que tudo está na mesma.

Aliás, nem é difícil extrapolar para os países. Portugal, por exemplo, encontra-se limitado nas decisões políticas efetuadas há centenas de anos devido às cúpulas. Estas estiveram sempre demasiado concentradas no seu próprio umbigo para se preocuparem os seus clientes, ou seja, os cidadãos portugueses e quem aqui trabalha e vive.

Para evitar o declínio e até mesmo a obsolescência basta, assim, que líderes e dirigentes queiram “abrir os olhos” e escutar quem mais sabe do seu negócio: os consumidores.

Deixe uma resposta